Nos conhecemos numa dessas festinhas embaladas pelo Rei e Ronnie Cord. Ela era uma boneca, com direito a saia rodada e rabo de cavalo. Eu? Não era assim nenhum pão, mas fui o único a tirá-la para dançar. Resultado? Quase três anos depois, meu broto e eu nos tornamos esposos. Era hora de abandonar as festas de arromba.
E a “Multiplicação dos pães” se operou na nossa família. De dois passamos a sete em quatro anos. Fraldas, mamadeiras, chupetas e roupinhas... Como criança dá despesa! Eles crescem e nada serve mais. E os garotos pareciam tomar fermento antes de dormir.
Logo, apesar de fazermos economia nossa vida ficou pesada demais para o meu empreguinho de interior. Também já era hora dos meninos entrarem na escola. Por que filho meu tem que estudar, e virar doutor.
Muito choro e vela depois: Mudamos para capital. Para uma casinha de três quartos num conjunto pacato. Todo dia era sempre igual todos tomados café,limpos e asseados saiamos de casa .Os meninos para escola aprender o bê-á-bá. Eu ia pro banco, trabalhar como todo Homem digno.
E foi assim por um bom tempo... O tempo foi passando. Veio a Ângela, bonequinha do papai. Reformamos a casa para construir mais um quarto. Os meninos foram crescendo. Eu comprei um carro. As férias foram embora cada vez mais rápidas. Eles queriam uma TV... Adolescente dá uma despesa! O que isso significa? Era hora de fazer um Extra.
Meu bem começou a reclamar do meu horário. Dizia-me que eu estava com outra, me perguntava quem era. Depois passou a encontrar fios de cabelo nas minhas roupas... Marcas de batom. E gritava feito louco comigo. Eu? Eu sempre falei a verdade. Mas minha secretária gostava de mentir. Estava ficando difícil a convivência, mas nós tínhamos uma família. Precisávamos estar unidos.
O primeiro a sair de casa foi o Alfredo Jr. Foi tentar ser jogador de futebol, não deu muito certo. Virou gandula. Depois o Aristides, se debandou para são Paulo e eu nunca mais vi. Então, Antônio se formou, virou professor e voltou para o interior. Arlindo casou com uma moça rica. Augusto, pobre Augusto morreu atropelado por um fusca na contramão. A Ângela ficou...Eu queria tê-la deixado fora desta história, mas não pude.
Nos separamos, foi num dia 23 de outubro. Lembro de alguém estar anunciando o resultado da loto no rádio... Eu nem tinha jogado, mas os números me fizeram perceber que não tinha dinheiro nem para alugar um quarto-e-sala. Chorei em silêncio. Ela me olhou de rabo de olho. “Você fica, mas eu não quero vê-lo no mesmo cômodo que eu!” Ela disse. E eu vendi o carro e mandei passar um muro dividindo a casa em duas partes. Foi estranho, ficar com meia cozinha, meio banheiro... Pensei que depois de um tempo fosse me acostumar. Mas só recentemente eu percebi que não conseguiria. Pois por mais que dividíssemos os bens, a casa...Nunca conseguiríamos apartar a vida que tínhamos em comum.
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Bsh avisa que inventou a maior parte dessa História...Mas que conhece de verdade a filha do ex-casal que mora nessa "meia" casa!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
"Era uma Casa muito engraçada..."
Postado por Bárbara Homrich às 13:57 3 comentários
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Ei! Detalhe...O maior homem do mundo!
Nasci num Brasil muito americano. Um país, que tinha se rendido à coca-cola e a Tom Cruise, que cantava num inglês cheio de bossa, que ainda não tinha trocado o cruzado novo por Real. Capitalista, era o Tio patinhas. E Comunista... Ah, esse era Fidel Castro. Na minha visão infantil, aquele homem que parecia jamais ter sido jovem, era o maior homem do mundo. Pois carregava nas costas o Comunismo inteiro.
Cenho fechado. Barba abundante. Farda verde militar. E quando não estava discursando, tinha um charuto pendurado no canto da boca. Não era lá o que eu, aos cinco anos, considerava super interessante. Mas o fato é que ele vivia aparecendo na TV. Esqueça a China, a Coréia do Norte, a Líbia, Laos, o Vietnã. Até hoje, quando me falam em Comunismo eu lembro logo de Cuba.
E não que eu simpatize com Fidel, ou concorde com tudo que ele fez ou disse. Na verdade eu imagino que a causa dessa lembrança esteja relacionada à impressão que tive dele na infância, Fidel Castro sempre me pareceu “o último dos moicanos” comunistas, e sua expressão cansada era dona das grandes preocupações de quem ainda teimava em manter-se diferente do resto do “mundo”.
Quando em 2006 anunciaram que o então ‘presidente de Cuba’ estava se afastando do cargo para cuidar de sua saúde, eu confesso que fiquei um pouco decepcionada. Primeiro porque ainda guardava um restinho de inocência pueril que fazia teimar em acreditar que caras como ele não podiam morrer. Segundo porque não conseguia digerir o fato de manterem segredo sobre a até hoje incógnita doença.
Hoje, quando li a declaração de García Sabrido, médico que acompanha o caso: "Fidel está muito bem,(...) e poderia voltar ao poder se desejasse.” Me perguntei qual seria o motivo dele não voltar. E tudo que consegui pensar foi: Não volta, pois a doença foi uma desculpa. Para tirar um cansado Sr.Castro do poder. E manter a família a frente do país. Talvez Cuba deixe de ser “república” e vire “monarquia”. Não é assim que chamamos governos hereditários?
BSH está de volta ao Ei! Detalhe...
Ela admite que essa não foi o texto mais legal que escreveu na vida, mas insiste em atualizar o blog!
Nossa garotinha também está triste por ter sido "dâ" o suficiente p/ perder a fonte do seu Notebook!
Postado por Bárbara Homrich às 20:17 0 comentários

